Arquivo para Dezembro, 2007

OS NOVOS RUMOS DA SOM LIVRE + VANGUART

Dezembro 20, 2007

Materinha sobre os novos rumos da Som Livre, a gravadora das Organizações Globo. O que me inspirou a caçar esta pauta foram os elogios que vinha ouvindo de vários artistas nos últimos meses – indicando que o selo realmente estava mudando. Como bônus-track, uma entrevistinha com o Vanguart, confirmando que a banda está negociando com a gravadora. Publicado no Jornal do Brasil, 09/12/2007 (Som Livre) e 21/11/2007 (Vanguart). Âpideite: a tal noite dos indies patrocinada pela TIM na Fundição Progresso, anunciada para este mês, pelo jeito não vai rolar este ano…
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O “S” estilizado, logotipo da gravadora Som Livre, tem sido visto em lugares inusitados. Como a contracapa de CDs de artistas novos e bem cotados, como o cantor carioca Jonas Sá e o grupo Tom Bloch. E até em festivais dedicados a revelações do rock a marca tem aparecido. Mas a Som Livre não era aquela companhia que só lançava CDs da Xuxa e trilhas sonoras de novelas da Globo e só se envolvia em projetos especiais?

- Nosso negócio principal ainda é, como sempre, trabalhar para a Rede Globo, povoar a grade da rede com música. Mas estamos atentos às novas cenas musicais que vêm surgindo pelo Brasil e queremos ajudar essas caras novas a ganhar projeção. A oferta é tremenda, temos inúmeros artistas interessantes batendo à nossa porta – explica Leonardo Ganem, presidente da Som Livre, que põe na rua, com força, o selo Som Livre Apresenta, criado oficialmente este mês com o lançamento dos discos Anormal (Jonas Sá), Magical fingers (do cantor Mariano San Roman) e 2 (do Tom Bloch).

Chicas entram no elenco

A etiqueta também assumiu a distribuição de Quem vai comprar nosso barulho?, disco de estréia do grupo Chicas, lançado em 2006 de forma independente. Para os primeiros meses de 2008, estão previstos álbuns dos grupos Coffee D’Amour, Companhia Itinerante e Os Irreversíveis (este com a cantora Carol Monte, irmã de Marisa Monte). Em negociações avançadas, também para o ano que vem, estão o sul-matogrossense Vanguart, revelação de festivais como Mada, em Natal, e a jovem cantora Shirle de Moraes.

Leonardo Ganem diz que a vontade de investir em novos talentos nasceu de uma observação atenta ao mercado fonográfico.

- A vendagem dos grandes nomes vem caindo muito. Mas a faixa dos artistas médios e pequenos ainda constitui um bolo fabuloso.

Outra necessidade sentida pela empresa era a de uma mudança de imagem.

- Já ouvi dizer que a Som Livre era uma gravadora de frente para o mar e de costas para o Brasil. Agora temos uma série de informantes em todas as regiões do Brasil, apontando os novos destaques das cenas regionais. E queremos ampliar essa rede – diz Ganem, que entrou no lugar de Gustavo Ramos.

Igualmente importante era a aproximação com a novíssima geração de ouvintes, gente que compra cada vez menos CD, mas ouve cada vez mais música.

- Miramos no público universitário, entre 17 e 24 anos, pessoas que sabem como baixar música pela internet e se informam sobre as novidades. Eles são o alvo do Som Livre Apresenta.

Os reflexos dessa nova orientação da Som Livre – única gravadora brasileira capaz de competir com as multinacionais do ramo – se fizeram sentir na classe artística. Hélio Flanders, do Vanguart, é uma testemunha da mudança.

- As conversas que estamos mantendo com a gravadora são muito animadoras. Nota-se que eles realmente querem trazer coisas boas ao mercado.

Para Carol Monte, a iniciativa da Som Livre não tem paralelos.

- Eles estão fazendo o que nenhuma gravadora tem feito: investir em novidade.

Outro grupo a ser “apresentado” pela Som Livre em 2008 é a banda Voltz, formada em São José dos Campos (SP). O quarteto foi o vencedor do GAS Festival, concurso de bandas realizado em setembro em São Paulo e que contava com o apoio da gravadora. Saíram de lá com a promessa de um CD, confirmada pelo selo.

- Estávamos gravando nosso segundo CD por conta própria. O apoio da Som Livre será importante para nós, já que vivemos numa cidade fora do eixo pop – afirma Glauber Ribat, vocalista do Voltz.

Leonardo Ganem detalha o envolvimento da gravadora no GAS Festival:

- Fizemos a seleção das bandas concorrentes e estamos negociando nossa participação na edição 2008 do evento. Os festivais são mais um mecanismo que o mercado encontrou para se reinventar, e nós queremos participar disso.

A Som Livre mantém os dois pés bem plantados no chão. Não pretende furar o orçamento nem fazer investimentos astronômicos. Uma estrutura modesta e absoluto realismo nas metas comerciais dão a tônica da operação.

- Sabemos que não vamos ter lucros logo de cara. Nosso objetivo é ficar no zero a zero, sem ter prejuízos – afirma o presidente da companhia. – Se conseguirmos gerar um movimento, um bochincho com os lançamentos do selo, já será excelente.

Vendas de ‘negócios-problema’

A atitude é coerente com o momento atual do mercado e da própria gravadora, que iniciou em 2005 um processo que Ganem chama de “uma senhora reestruturação” – justamente na época em que ele entrou na empresa, como diretor financeiro.

- Conseguimos nos livrar de vários negócios-problema. Nosso site (www.somlivre.com.br), por exemplo, não tinha foco: vendíamos até sutiãs! Hoje nos concentramos apenas em CDs e DVDs. Vendemos também a Som Livre Portugal e parte do catálogo da Sigem, nossa editora musical.

Os sinais de recuperação das vendas de CDs e DVDs também foram sentidos pela gravadora carioca. Mesmo que a pirataria ainda abata boa parte dos lucros, especialmente próximo do Natal. A companhia é realista quanto à situação por que passa a indústria.

- A Som Livre é o selo que mais sofre com os piratas – revela Ganem. – Na época da novela América (2005), lançamos várias trilhas diferentes, divididas em temas: sertanejo, urbano etc. Os piratas chegaram na frente e lançaram o América funk, copiando o logotipo da novela!

* * *

Bonus-track: Vanguart negocia com a Som Livre

Na contramão dos prognósticos apocalípticos sobre o cenário pop brasileiro, a ascensão do quinteto Vanguart encantou muita gente e perturbou outros tantos. Em menos de três anos, o grupo liderado por Hélio Flanders saiu de Cuiabá (MT) e ganhou projeção no circuito indie nacional com performances (ditas) arrebatadoras em festivais por todo o país. Tornaram-se darlings de colunistas pop em jornais, revistas e na internet. Os shows catárticos renderam comparações com fenômenos como a Legião Urbana. Foram parar na TV Globo (participando de um especial em homenagem a Raul Seixas). E andaram flertando com grandes gravadoras. Seria, enfim, a redenção da novíssima geração do rock nacional, que ainda parece à espera dos novos Los Hermanos?

- Não acredito em nada do que escrevem sobre o Vanguart por aí. Quando começaram esses papos de “a próxima Legião Urbana” e os boatos sobre contrato disso e daquilo, ficamos meio desconcertados. Boato é f…, né? Mas não nos interessa mais o que os jornalistas dizem. Incomoda um pouco, mas não chega a ser um problema – garante Flanders, que está no Rio com sua banda para tocar no Cinemathèque Jam Club, em Botafogo, hoje, a partir das 23h. A abertura é do duo uruguaio Perrosky, em sua primeira passagem pelo país.

É a chance para mais uma sessão de folk-rock com pinceladas de psicodelia, que já conta com seus mini-hits (Semáforo, Cachaça, Hey ho silver) – que costumam ser cantados em uníssono pelos fãs do grupo.

O vocalista aproveita para dissipar os rumores sobre a ida do Vanguart para uma grande gravadora.

- Tem sempre um pouco de verdade nos boatos… Estamos conversando com a Som Livre. Há um interesse da gravadora há algum tempo. A idéia inicial seria relançar o primeiro álbum (homônimo, que foi lançado pela revista Outracoisa no começo do ano), mas agora o acordo é para um segundo disco, de inéditas, programado para meados do ano que vem – conta.

Os detratores do Vanguart – sim, existem, e em bom número – vibraram com o cancelamento do que seria, possivelmente, o mais importante show da história da banda: a participação no último Tim Festival. A chuva que caiu na cidade na noite do show fez o público debandar e ameaçou a segurança dos artistas.

- Foi frustrante, mas não temos nada a reclamar do festival. O palco era apenas parcialmente coberto e os instrumentos ficaram ensopados, o teclado estava pingando. Se a Cibelle levou choque tocando num palco fechado (na mesma noite, na tenda Novas Divas), imagine a gente! – conta o cantor, que adianta: – No mês que vem, a Tim vai fazer uma noite na Fundição Progresso com o Vanguart, o Montage e o Del Rey, que tocariam no festival.

CRISE? QUE CRISE?

Dezembro 10, 2007

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Sim, quem vive da venda de discos vai mal. Mas quem vive da venda de música – direta ou indiretamente – vai bem. É algo que venho dizendo há tempos: o mercado fonográfico está em crise, mas é errado pensar que “mercado fonográfico” = música. Ainda é possível ganhar muito dinheiro com música, especialmente numa era na qual a música está em todos os lugares. Raciocine comigo: qual negócio em crise se daria ao trabalho de promover uma festa de fim de ano, com direito a comes refinados e bebes importados?

Eu matutava sobre essas e outras questões enquanto o gelo no meu scotch oito anos dançava caprichosa e lentamente. Estava apreciando a vista da orla da Zona Sul carioca, instalado à varanda de um dos mais exclusivos clubes da cidade. Consegui que meu nome fosse inserido na lista de convidados da confraternização de fim de ano de uma editora musical intimamente ligada a uma das quatro gravadoras multinacionais operantes no país. Não era, obviamente, uma “festa da firma” qualquer. Reunidos no evento estavam os chefões da editora, o presidente da gravadora-mãe (e seus respectivos puxa-sacos) e uma constelação dos principais compositores administrados pela empresa. Compareceram roqueiros, sertanejos, emos, sambistas, “populares”, ou seja, a fauna e flora das TVs, FMs e AMs.

Discreto, mas marcante, pude testemunhar cenas interessantíssmas. Como uma improvável reunião de três escalões diferentes de roqueiros da safra oitentista: um superstar consagrado, outro um legítimo one-hit wonder e o terceiro, não mais que um obscuro cult hero. Todos papeavam animadamente, sem diferença de castas. Um hitmaker brega-pop dos anos 80, que anda tentando uma (nova) reentrada no mercado, surpreendeu a todos com sua boa forma. “Puxa, o Fulano de Tal está inteiraço, bem conservado… se bem que está fungando e coçando o nariz demais pro meu gosto…” Um astro (ascendente ou cadente?) do breganejo pavoneava sua camisa com padronagem de zebra, carregando a tiracolo uma namorada com uma blusa quase idêntica. Um camarada meu, band-leader de um grupo muito simpático, também estava lá, acompanhando a esposa (ela é filiada à editora, ele não).

Enfim. Entre uma bicadinha na terrine de foie gras e outra mordiscada na tapioca com bobó de camarão, eu pensava. Os caras devem estar felizes com o resultado deste ano, né? Porque a tal gravadora-mãe, que empresta o nome à editora musical, acabou de passar por um período muito turbulento. Abalos financeiros, troca de comando, etc. Em outras palavras, muito pouco a comemorar. E, vejam vocês, cá estava o braço da corporação no ramo de publishing, gastando os tubos e fazendo festinha. Qual o segredo?

Não há segredo. Editoras musicais não trabalham com vendas de discos, e sim com arrecadação de direitos autorais. Ou seja, eliminam (ou ignoram) o intermediário e unem diretamente produtores (os compositores) e consumidores primários (rádios, TVs, internet) e secundários (o ouvinte). Essa cadeia alimentar funciona a pleno vapor, cagando para a pirataria e para a queda das vendas. As editoras se beneficiam de uma verdade que as gravadoras ignoraram por muito tempo: as pessoas sempre darão um jeito de ouvir sua música favorita. Elas não vão deixar de ouvir rádio ou de ver seus artistas favoritos na TV. Só deixarão de comprar o CD ou o DVD, se não estiver a seu alcance financeiro. Mas isso não importa para a editora. Tocou, arrecadou – seja no celular, no site da internet, na trilha sonora do filme ou no radinho de pilha. Essa visão me foi confirmada pela opinião do presidente da Som Livre, a quem entrevistei há pouco tempo (em breve posto a conversa por aqui).

Então, volto a afirmar: sempre haverá dinheiro a ser feito no mercado de música. Pode (já) não estar (mais) na venda de CDs, pode (ainda) não estar no download legalizado. Mas os cofres do Ecad não param de arrecadar.

* * *

O amigo Ricardo Schott teve a fineza de me entrevistar sobre este blog e outros assuntos quetais. Prestigiem: http://www.interney.net/blogs/dbasica/2007/11/30/entrevista_marco_antonio_bart

CHRIS CORNELL: “A INFLUÊNCIA DO GRUNGE NEM SEMPRE FOI UMA COISA BOA”

Dezembro 4, 2007

Voltei, moçada. Depois de quase 20 dias sem pegar (ops) no blog, posto agora a íntegra da entrevista que fiz com Chris Cornell, publicada (como sempre, com vários cortes) no JB do dia 02/12/2007. Aquela coisa, né? Os 15 minutinhos regulamentares, devidamente tesourados pelo assessor da gravadora quando o papo finalmente estava engrenando. O cara, como cês sabem, toca dia 12 no RJ.

Aguardem mais novidades (incluindo, possivelmente, um texto inédito) no decorrer do período.

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Dos primeiros shows do Soundgarden, em meados dos anos 80 do século passado – antes mesmo da invenção do termo grunge – até a trilha sonora do último filme de James Bond, Chris Cornell trilhou um longo caminho. O cantor norte-americano de 43 anos repassa alguns dos momentos marcantes desse caminho em sua atual turnê solo, que faz duas paradas no Brasil semana que vem (dia 12 no Citibank Hall, no Rio, e no dia seguinte em São Paulo). Legítimo ícone da geração do rock de Seattle, Cornell notabilizou-se como excepcional vocalista, primeiro à frente do Soundgarden, e depois no Audioslave (formado pelos músicos de outro grupo ícone do período, o Rage Against the Machine).

Depois de desmontar o Audioslave em fevereiro, o cantor lançou um álbum, Carry on, e caiu na estrada sozinho… cantando músicas de seus dois ex-grupos. Vários hits do Soundgarden (Outshined, Spoonman, Superunknown, Pretty noose), algumas do Audioslave (Cochise, Show me how to live) e You know my name, o tema de 007 – Cassino Royale. Antes do show, Cornell falou ao JB de sua casa em Los Angeles.

Ouvi falar de seu acidente de moto, como você está agora?
Não me machuquei realmente. Já estou pronto para outra, foram só alguns arranhões.

E a turnê, tem ido bem?
Temos tocado pelo mundo afora. Passamos por toda a Europa, Austrália, Nova Zelândia… países do Norte da Europa, como a Islândia, onde nunca tinha me apresentado. É bom poder repassar canções de todas as fases de minha carreira, algo que eu nunca pude fazer antes. Quer dizer, o Audioslave tocava algumas músicas do Soundgarden, mas algumas outras eu nunca havia cantado ao vivo.

Você sabia que o Soundgarden ainda é muito popular por aqui, especialmente entre os jovens dos subúrbios? Há várias bandas cover tocando as músicas do grupo…
Sabia que o grupo era muito popular. Mas essa das bandas cover eu não tinha ouvido falar… Em 1994 tentamos armar uma turnê pelo Brasil, mas não deu certo.

Você foi integrante do Soundgarden por 13 anos e depois ficou no Audioslave outros seis. Como se sente agora, numa carreira solo “de verdade”?
Na verdade não é muito diferente de estar em uma banda. Eu amo a música que fiz com o Soundgarden e o Audioslave até hoje. Talvez a maior diferença seja a maior carga de trabalho que eu imponho a mim mesmo. Nem sempre é fácil conseguir com que os membros de uma banda se animem a ensaiar, a gravar, ou fazer uma excursão… E eu, pessoalmente, vivo apenas para isso. Todo o meu tempo é devotado à minha família e à música. Agora que estou solo, posso fazer mais shows, gravar mais, compor mais, porque não dependo de mais ninguém.

Essas dificuldades que você citou aconteceram pessoalmente contigo, no Soundgarden ou no Audioslave?
De um certo modo, sim. Às vezes quando os grupos fazem sucesso, eles assumem uma atitude meio burocrática. Ficam acomodados. Eu não; estou sempre cheio de projetos e idéias diferentes, e quero torná-los realidade. Quero escrever novas músicas, em estilos diferentes, que nunca experimentei antes. Isso é o mais importante. Vejo integrantes de bandas de sucesso fazendo de tudo, menos tocar e compor. Os caras viram paraquedistas, pilotos de corrida, roteiristas de cinema (risos). Quer dizer, eu entendo o lado deles, é todo um mundo de possibilidades que se abre, outras formas de expressão.

E como estão suas relações com os antigos membros de suas velhas bandas?
Tenho pouco contato com eles agora. Ainda sou amigo de todos eles, não houve briga. Mas eu moro em Los Angeles e faz mais de um ano desde minha última visita a Seattle. No meu tempo livre, não fico indo a shows e confraternizando com outros músicos; devoto todas as horas de folga à minha família.

Na turnê atual você canta músicas feitas há 12, 15 anos. Essas canções soam diferentes para você, com outra ótica, depois de todo esse tempo?
Agora tenho a chance de apenas cantá-las. Minha banda tem dois guitarristas e eu não preciso tocar guitarra no show, exceto por algumas músicas nas quais toco violão. É bastante diferente interpretar canções do Soundgarden como Rusty cage e Superunknown, concentrando-me apenas nos vocais. Já na época em que as compus, era um desafio tocá-las ao vivo – exigiam muito, tecnicamente falando. Em músicas mais simples, como Loud love, é mais fácil. É só uma questão de tentar recuperar a raiva que havia na versão original.

Sua banda atual precisou mudar muito os arranjos das músicas antigas?
As novas versões não são muito diferentes das originais. Estamos passando por vários territórios diferentes e isso é ótimo. Também há momentos sutis no show. Não se trata apenas de soltar agudos a torto e a direito. Isso é fácil. O negócio é manter a melodia, sem ter uma guitarra distorcida ou uma bateria trovejante por trás. É isso que amo nessa turnê: poder cantar coisas muito diferentes umas das outras, canções lindas e outras bastante agressivas.

Como você enxerga as diferenças entre as duas bandas agora?
Quando (nós no Soundgarden) gravamos Superunknown, estávamos começando a nos interessar por outros tipos de música. Eu queria continuar a fazer barulho, mas também ser capaz de fazer música de verdade. O Audioslave era mais minimalista. Tudo girava em torno do groove, uma estética bem diferente do Soundgarden.

Olhando em retrospecto, qual sua opinião sobre a influência das bandas de Seattle – Nirvana, Pearl Jam – sobre o rock que veio depois?
Hmmm, isso depende do quanto eu quero pensar sobre o assunto (risos). Quando ouço rádio, consigo identificar o rock de Seattle em várias bandas. Tipo assim: “Hmm, acho que já fizeram isso antes”. É natural que jovens músicos se espelhem nas bandas que admiram. O que não é necessariamente uma coisa boa. Bandas como Creed e Nickelback fazem muito sucesso sugando o som das bandas de Seattle, mas no fundo elas não tem vitalidade alguma. Aconteceu antes, com grupos como Van Halen ou The Police. Eddie Van Halen e Andy Summers mudaram o jeito de se encarar a guitarra no rock, para o bem e para o mal. Veja o Led Zeppelin, por exemplo. Muitos dos grupos dos anos 80 e do começo dos 90 se inspiravam no Led, mas eles só enxergaram a postura e a imagem do grupo: os cabelos longos, a performance de palco…

Como se fosse apenas uma caricatura, um arquétipo de uma banda de rock…
Pouca gente parava para ouvir as canções, ou o trabalho de baixo e bateria que o Led tinha. Toda a influência pode se tornar uma má influência, basta que ela seja tirada de seu contexto original.

Você citou o Police. Sabia que eles vão fazer um show no Rio, alguns dias antes de sua apresentação?
Hum, não deve dar tempo para que eu consiga assistir ao show. Ah, eu gostaria de ser o quarto membro do Police (risos). Não sei se eles me aceitariam (risos). Acho que poderia dar certo, eu tocaria guitarra e faria as harmonias vocais com o Sting. Seria demais!