O MAGNATA DESAJUSTADO QUER UMA FERRARI.

Novembro 18, 2007

Andei sumido, né? Bem, estive viajando muito e trabalhando muito, não necessariamente nessa ordem. Em breve, mais detalhes por aqui. Publicado no Jornal do Brasil, 16/11/2007.

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Todo mundo sabe que nos créditos de um filme o nome do diretor é o último a aparecer na tela. Já em O magnata, longa-metragem em cartaz no Rio, o nome que finaliza os créditos não é o do diretor estreante Johnny Araújo, mas do roteirista Chorão, líder do grupo de rock Charlie Brown Jr. que também estréia no cinema. A inversão se justifica, já que desde que o projeto foi anunciado, em 2005, sempre foi chamado simplesmente de “o filme do Chorão”.

Na tela, vê-se um coquetel explosivo de (pouco) sexo, (muita) violência e (algum) rock’n'roll, combinados na história do personagem-título, o Magnata, vivido por Paulo Vilhena. Rico, arrogante e desajustado, o Magnata divide seu tempo entre um grupo de hardcore e um irresistível fascínio pelo submundo, que acaba por arrastá-lo para baixo, muito baixo. O próprio ator se encarrega dos vocais da banda.

Chorão e o Magnata têm mais diferenças do que semelhanças entre si. Alexandre Magno, nome verdadeiro do cantor de 37 anos, não nasceu em berço de ouro nem praticou assaltos a mão armada. Entretanto, para boa parte do público o roqueiro santista personifica um estilo de vida casca-grossa que pode causar confusões entre criador e criatura.

- De bandido e de mocinho todo mundo tem um pouco. E às vezes os papéis até se invertem – afirma, dúbio. – Em comum com o Magnata tenho apenas a vivência das ruas e a música. Mas não tenho medo de que me associem à figura dele. No filme sou apenas figuração, parte do pano de fundo musical, noturno, urbano, esportivo…

Na trama, o grupo do Magnata é convidado a abrir um show do Charlie Brown Jr.. Chorão participa, interpretando a si mesmo. Também saídos da vida real estão roqueiros como os grupos Dead Fish e Lobotomia, os rappers SP Funk e o apresentador-grunhidor João Gordo, além do skatista Bob Burnquist. O letrista, que um dia já cantou: “O que eles falam sobre o jovem não é sério / O jovem no Brasil nunca é levado a sério” (na música Não é sério), espera que os adultos vejam a realidade mostrada em O magnata com… saudade.

- Saudade da liberdade, da ousadia, da juventude, das pequenas responsabilidades e até daquelas irresponsabilidades sem maiores conseqüências.

O magnata integra uma safra recente de produções que tentam retratar a juventude urbana brasileira (A concepção, Cão sem dono, Podecrer!, 1972, Proibido proibir) com diferentes abordagens e níveis de qualidade diversos. Chorão, também um skatista, afirma que não gostaria de ver sua (primeira) obra comparada a nenhum dos filmes citados (“Prefiro deixar que o público avalie”). Com igual ênfase, diz que o longa que escreveu não passa de uma história de ficção que esbarra, aqui e ali, na realidade.

- O roteiro retrata um tipo de comportamento específico, muito pessoal do protagonista. Mostra a coragem necessária para se cometer um ato criminoso. Mas também a displicência, a rejeição e o medo na hora de lidar com os resultados desse ato.

Na história, o Magnata rouba uma Ferrari (apenas por diversão, já que é rico) e se vê perseguido por uma gangue em busca de vingança. Mas Chorão prefere ressaltar as entrelinhas do personagem, em vez de focar seu lado violento. A relação com a mãe (Maria Luiza Mendonça), uma dondoca alcoólatra, e o romance com Dri (Rosane Mullholland), analisa o cantor, ajudam a humanizá-lo.

- Na verdade, é uma história bem complexa e intensa, com sutilezas. Ele sofre com sua mãe problemática e ausente e se envolve com uma menina que chega do exterior em fase de questionamentos pessoais e profissionais – diz. Bráulio Mantovani, roteirista que cravou seu nome nos créditos de Tropa de elite e Cidade de Deus, ajudou Chorão na redação final do texto, junto a Messina Neto e outros roteiristas do núcleo de dramaturgia da Gullane Filmes, co-produtora do longa.

Também para dar humanidade ao personagem entra em cena Marcelo Nova, que atua como sua consciência. O bate-bola entre Paulo e Marcelo, dois amigos de Chorão de longa data, ajuda a colorir a caracterização do protagonista. O líder do Charlie Brown Jr. comenta:

- Marcelo é um dos meus ídolos. Ele compôs grande parte da trilha sonora da minha vida. Ouvi muito o Camisa de Vênus – diz, referindo-se ao grupo fundado nos anos 80 pelo roqueiro baiano. – Sabia que encararia o desafio e acrescentaria muito. Quanto ao Paulinho, pude constatar o grande ator que é e também o cara legal que poucos conhecem.

E como foi a participação de Chorão num set repleto de atores iniciantes e/ou não-profissionais, conduzidos por um diretor igualmente novato, com longa carreira, mas apenas como diretor de videoclipes e publicidade?

- Acompanhei 90% das filmagens. E toda a pré-produção, seleção e preparação de elenco. Inclusive do Paulinho, já que teve que cantar de verdade. Foi um trabalho puxado e intenso, mas me deu experiência para o meu próximo filme, que, sem dúvida, virá por aí.

Bonus-track: a resenha do filme, também publicada no JB.

Admitamos: as credenciais que O magnata trazia antes de chegar às telas davam um certo medo. Roteirizado por Chorão, vocalista do Charlie Brown Jr., e conduzido por um diretor estreante (o clipeiro Johnny Araújo), o filme tinha tudo para ser uma pérola trash. A surpresa é, então, encontrar um longa muito bem filmado, com um pique narrativo que compensa o roteiro fraco e o elenco irregular. O resultado impressiona mais ainda em comparação com a recente safra de filmes nacionais que tentaram retratar a juventude brasileira urbana. Há, claro, situações forçadas e caricatas. Mas a tensão da trama criminal se equilibra bem com a caracterização da porralouquice da molecada – flertando com a marginália de um lado e a inconseqüência do outro. E exibe ousadia ao rejeitar, firmemente, a caretice que sobrou em filmes como Podecrer! ou 1972. Mesmo correndo o risco de glamourizar comportamentos indefensáveis. E do inegável moralismo do resultado final.

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3 Respostas para “O MAGNATA DESAJUSTADO QUER UMA FERRARI.”

  1. tamires Diz:

    eu amo o chorão o cara é fera tanto no talento mussicalquanto no skate eu amo ele beijos e o filme vai ter continuação!!!!

  2. fernanda Diz:

    sabe o nome da musica do dead fish que tocou?

    obrigado ^^

    se puder, me envia por email.

  3. Assis Diz:

    Po eu gostaria de saber qual atriz fez o papel da “Rê” no filme “O Magnata”, estou procurando e nao acho se souber me diz ai pelo email, valeu abraços Assis, enquanto o filme, muito bom, gostei muito, trata de problemas socias, focados nos jovens bem legal mesmo.


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