Resenha do mais novo disco da Nação Zumbi, Fome de tudo. De faixa-bônus, incluo uma materinha que fiz repercutindo o fato do disco ter vazado em MP3 vários dias antes do CD chegar às lojas. Geralmente não posto esse tipo de texto por aqui – já existe tanta gente por aí nessa onda, né? – mas a intervenção do dileto leitor José Henrique me compeliu ao ato. Zé (posso tratá-lo assim?) é desses fãs que passam o dia no Google digitando o nome de sua banda favorita, em busca de novidades acerca de sua banda favorita. (Eles existem, e como existem…) Ele já dera o ar de sua graça por aqui no post NAÇÃO ZUMBI NA DECKDISC. Nos comentários do post, me admoestava, por considerar que menosprezei a NZ. Neste fim de semana, ele atacou de novo (leia detalhes aqui), certamente após ter trombado, em uma de suas rondas, com a resenha que fiz de Fome para o Jornal do Brasil (publicada dia 30/10/2007). Dei-me conta que, apesar de ter permitido ao rapaz ventilar sua revolta, não incluí no site o texto que o motivou. Então, para quem leu o comentário do Zé e não entendeu nada, lá vai:
Em seu sétimo disco – o quinto após a morte de Chico Science – a Nação Zumbi dá sinais de que ainda não resolveu o impasse auto-imposto no trabalho anterior, Futura (2005). Os pernambucanos vêm deslocando o eixo de sua música da pancadaria percussiva dos primeiros anos para uma ênfase maior nas harmonias e melodias. Entretanto, a guinada estética não foi acompanhada por mais inspiração nas composições. Não é que Jorge Du Peixe (voz), Lucio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e os percussionistas Gilmar, Pupillo e Toca Ogan estejam proibidos de buscar maiores sutilezas em seu som. O problema é que a fartura de grooves e levadas contagiantes não é contrabalançada por brilho melódico ou vocal.
Em comparação com o último disco, Fome de tudo apresenta um trabalho ainda mais minucioso na produção – timbres variados e incomuns, efeitos eletrônicos e instrumentos vintage convivendo bem. A riqueza sonora é provável resultado da colaboração com o produtor Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Marcelo D2). Com o abrandamento dos tambores, mais discretos na mixagem (quando não eliminados de vez), sobressai a ginga instrumental. Mas o desequilíbrio entre forma e conteúdo deixa o resultado irregular. Exemplo claro do descompasso é a faixa “A culpa”. A canção traz uma das melhores levadas de guitarra do disco. Entretanto, a melodia pobre e o estilo vocal de Du Peixe – reto, sem nuances – derruba o bom groove. A mesma sensação contamina outras músicas, como “Bossa nostra”, “Infeste” e “Carnaval”. Ou mesmo “Toda surdez será castigada”, parceria com o compositor conterrâneo Junio Barreto.
À uma segunda ou terceira audição, alguns detalhes se destacam na massa sonora. Em “No Olimpo”, que fecha o disco, o sexteto afinal acerta um refrão cativante, em boa combinação com o arranjo menos frenético. “Inferno”, mais climática, conta com participação da cantora Céu valorizando a melodia sinuosa. “Nascedouro”, enraizada no samba, ganha ares de gafieira psicodélica quando entra a metaleira da Orquestra Popular do Recife. O peso da faixa-título recupera a pegada dos primeiros anos da banda, enquanto a mais eletrônica “Originais do samba” remete às experiências com beats e samplers de Afrociberdelia, o segundo disco, ainda com Chico (1996). E a intervenção vocal de Toca Ogan cai bem em “Assustado”, compensando o timbre mais rascante de Jorge.
Bônus: DISCO DA NAÇÃO ZUMBI CHEGA À INTERNET ANTES DAS LOJAS
Fome de tudo, o novo disco do grupo Nação Zumbi, era aguardado com tanta ansiedade, mas tanta ansiedade, que os fãs não se contiveram. O álbum – lançado pela Deckdisc, ao preço sugerido de R$ 27,90 – já circulava pela internet, em forma de arquivos MP3, vários dias antes de sua chegada às lojas, no começo da semana passada. Não se sabe pelas mãos de quem o CD “vazou” na grande rede. Entretanto, pela boa qualidade sonora dos arquivos (dos quais o JB pôde obter cópias, baixadas de um dos vários websites anônimos de compartilhamento de arquivos), tudo indica que os MP3 de Fome de tudo foram tirados de um CD já finalizado, igualzinho ao que foi para as lojas.
- Ficamos um pouco chateados, mas sabemos que é inevitável – comenta o guitarrista da Nação, Lucio Maia, sobre o aparecimento prematuro do repertório inédito na internet. Inacessível por telefone ou em contato ao vivo, Maia concedeu entrevista via mensagens de texto SMS, trocadas entre celulares.
Aceitando aquilo que o músico classificou como “inevitável”, a NZ se adiantou à febre do download ilegal colocando, com um mês de antecedência, as músicas do disco novo para audição gratuita (mas não para download) no endereço www.fomedetudo.com. Duas das canções novas também estão à venda na loja virtual da Deckdisc (www.deckpod.com.br), ao preço de R$ 0,99 cada.
- Sabemos e confiamos que apesar de o disco ter vazado, os verdadeiros fãs ajudarão à banda comprando o CD – acredita Maia.
Fome de tudo é o sétimo disco da Nação Zumbi e o primeiro do grupo pela gravadora carioca Deckdisc. Com 12 músicas, todas inéditas, o álbum chega às lojas com uma tiragem inicial de cinco mil CDs. Procurada para comentar o vazamento prematuro do álbum, a direção do selo não respondeu ao JB.
Tags: deckdisc, fome de tudo, internet, mp3, nação zumbi, resenha


Novembro 15, 2007 às 10:13 pm
Fala, Marco, passo o dia no Google? ehehehee
Pô, tb não sou tão vagabundo assim, cara. :>)
A minha mensagem foi furibunda porque achei sua resenha totalmente descabida.
Esse disco novo da Nação é o bem mais resolvido deles, tem tudo lá, os tambores voltaram, as letras cheias de metáforas, as guitarras, a produção do Caldato, a capa lindona, até no nome das músicas os caras capricharam.
Mas, enfim, cada um fala o que quer e ouve o que não quer.
Me desculpe se fui grosseiro, não foi a intenção.
É que me pareceu que vc quis ir, propositalmente, contra a corrente de elogios que a banda sempre recebe.
Um abraço.
Novembro 18, 2007 às 8:45 pm
Diga lá, Zé,
não sei se é o mais bem resolvido, não. É bem melhor que o “Futura”, claro. Mas não que o “Nação Zumbi” de 2003 (ou 2002?) Ainda acho que eles estão devendo.
abs
Dezembro 14, 2007 às 12:07 pm
Rapaz,
O q será q o Zé Zumbi faz quando quer ser grosseiro?