NENEH CHERRY: ESCONDIDA E ENTRE A FAMÍLIA

Outubro 15, 2007

Publicado no Jornal do Brasil, 11/10/2007.

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É preciso olhar com atenção e estar por dentro da história recente da black music internacional para reconhecê-la. Mas ela está lá, para quem quiser ver: na lista de atrações do próximo Tim Festival pontifica a cantora Neneh Cherry. Ela vem escamoteada, como membro do cirKus, banda que formou em 2006 com o marido, o produtor Cameron McVey, e a filha de 18 anos, Lolita Moon. O grupo toca no Tim nos dias 27 (Rio), 28 (Vitória) e 29 (São Paulo) deste mês.

– Estava cansada de ser sempre o centro das atenções como artista solo. Não quero mais ser a garota do pôster central. Dividir espaços na hora de fazer música é o mais relevante para mim agora – conta Neneh ao JB, por telefone, de Londres, andando pelas ruas entre um buzinar de carros e outro.

Por quase duas décadas, a cantora de 43 anos, nascida na Suécia como Neneh Mariann Karlsson, esteve no olho do furacão. Os mais desligados do universo pop podem achar que sua carreira começou e acabou com o megahit Seven seconds, dueto de 1994 com o senegalês Youssou N’Dour que até hoje segue firme na programação das FMs mais soft. A intérprete – filha adotiva do trompetista de jazz Don Cherry – iniciou a vida artística aos 14 anos, passando por várias bandas new wave na Inglaterra. Em 1989, estouraria como um dos pioneiros nomes femininos do hip hop, após seu primeiro disco solo, Raw like sushi.

– Já tinha ouvido falar do sucesso de Seven seconds no Brasil. Fico feliz por isso. Só que fiz várias outras coisas desde aquela época. Não parei de compor, mas quase nada do que produzi chegou ao CD. Trabalhei como DJ, participei de shows de freestyle rap (rap improvisado) e cantei com muita, muita gente – relembra Neneh, que acrescenta rindo: – E além disso tudo me tornei avó há três anos!

A cantora não lança disco solo desde 1996, quando fez Man, mas não ficou parada. Ressurgiu como convidada, entre outros, do Pulp, do Groove Armada e do Gorillaz. O cirKus, que mandou para as lojas no ano passado seu álbum de estréia, Laylow (não editado no Brasil), representa a volta oficial de Neneh Cherry ao cenário musical. Além do marido e da filha, Neneh conta com o guitarrista e DJ Matt Kent, namorado de Lolita.

– É realmente como trabalhar em família. Não tivemos que procurar por estranhos e dizer “vamos formar uma banda”. A banda sempre esteve lá – conta a cantora.

Ela segue:
– Gosto da relação que temos uns com os outros e também da nossa postura em relação ao mercado. Construímos nossa música sem pressa, como um quebra-cabeça: uma peça de cada vez. Isso realmente me dá muita alegria. Hoje em dia, se o artista se curva às gravadoras e não consegue um sucesso instantâneo, está perdido. Não é assim que funciona para nós.

Alternadamente dançante e intimista, o som do cirKus mescla batidas eletrônicas a instrumentos reais. Suas apresentações ao vivo podem tanto trazer a energia da dance music e do hip hop quanto abrir espaço para passagens cheias de soul.

– Tentamos reunir os vários tipos de música que nos inspiram e traçar paralelos entre os sons acústicos e a eletrônica. Matt, por exemplo, tem formação em violão clássico, mas é louco por drum’n'bass – define Neneh. – Usamos samplers a serviço das canções. Controlamos os computadores, e não o contrário.

Sobre os shows no Brasil, não entrega o jogo.
– Vamos começar a ensaiar esta semana e devemos incluir algumas inéditas no repertório. Mas também vamos preparar algumas covers-surpresa. Nosso show sobe e desce, tem passagens altas e animadas e outras mais calmas. Somos mais balançados ao vivo do que em disco.

É a terceira vez que Neneh Cherry vem ao Brasil. Ela cantou na encarnação anterior do Tim Festival, o Free Jazz, em 1999. E em 2005 veio a reboque do grupo do irmão, o cantor Eagle-Eye Cherry. Suas lembranças do país não diferem muito do imaginário dos visitantes estrangeiros.
– Conheci gente bonita, ouvi boa música, comi bem e tomei ótimos drinques… O clima do Brasil é bem diferente do que estou encarando aqui agora, nesta Londres chuvosa e cinzenta – brinca.

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2 Respostas para “NENEH CHERRY: ESCONDIDA E ENTRE A FAMÍLIA”

  1. Marcus Diz:

    Prezado Bart, leio sempre o seu blog, e peço a você que avalie a possibilidade de oferecer o conteúdo completo dos posts no feed.

    Neste blog você encontra argumentos em defesa do feed completo.

  2. marcobart Diz:

    Marcus,
    admito minha ignorância. Habilitei o RSS do t.d.v., mas não sei como oferecer os posts completos nos feeds. Como faço? Alguma dica?

    abs


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