E segue a série de matérias sobre o miserê da indústria fonográfica. Diferentemente das reportagens anteriores que publiquei sobre o assunto (que podem ser lidas aqui, aqui e também aqui) esta tem um tom mais otimista. Está fresquinha ainda: saiu neste sábado (dia 15) no Jornal do Brasil, com o título (que não foi meu) O CD não está morto. Modéstia à parte, acho que me saí bem no trabalho de repórter investigativo
))
Ainda não está na hora de (re) abrir o champanhe. Mas é fato: gravadoras e lojas de CD têm tido, nos últimos meses, motivos para esboçar discretos sorrisos, depois de um longo e tenebroso inverno atormentadas por pirataria e downloads ilegais. Dados coletados sobre o mercado fonográfico indicam que em julho passado houve um aumento de 11% nas vendas de CDs e DVDs em relação ao mesmo período do ano passado. Esses números, obtidos pela firma de consultoria AC Nielsen, representam o primeiro resultado positivo no setor desde que a empresa começou sua auditoria regular, em 2005. Através de sua assessoria de comunicação, a Nielsen divulgou que não confirma os dados – alegando tratar-se de informações confidenciais, destinadas apenas a empresas da área.
O Caderno B, entretanto, obteve confirmação dos números, e também apurou que houve um aumento de 10,7% no faturamento oriundo da venda de CDs. E, em conversa com figuras de proa da indústria, constatou que há, sim, motivos para desapertar o cinto. Ao menos um pouquinho.
Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD), esclarece a razão do sigilo sobre os dados levantados pela Nielsen, sem deixar de festejar os bons números constatados:
– Os relatórios são fruto de monitoramento eletrônico do varejo de música, e são privativos das companhias que assinam o serviço. Mas a informação de que houve aumento no varejo das vendas de CDs é bastante positiva.
– Gosto de dizer que não vivemos mais uma crise, e sim o final de uma transição – diz Marcelo Castello Branco, presidente da EMI Brasil. – Esta tendência de crescimento de vendas é dinâmica e estável.
Marcus Fabrício, gerente nacional de vendas da Sony-BMG, prefere um otimismo mais cauteloso:
– Pode-se falar numa ”luz parcial“ no fim do túnel. De fato houve um crescimento, mas o momento ainda é de estancar as perdas.
A auditoria da AC Nielsen acompanha as vendas nos grandes varejistas (Lojas Americanas, Extra, Carrefour) e cadeias especializadas (como FNAC e Saraiva). Os números positivos são confirmados pelos comerciantes.
– A venda de CDs vem crescendo há seis meses, em volume de unidades e faturamento. Houve um aumento de 10% em relação a 2006 – confirma Benjamin Dubost, diretor comercial da FNAC no Brasil.
Mesmo estando fora do levantamento feito pela Nielsen, o lojista de rua (o que mais sofreu com a crise da indústria fonográfica) também comemora a lenta melhora do mercado. Cláudio de Almeida, dono da loja EscutaSom, instalada na Rua do Rosário, no Centro do Rio, pula de felicidade:
– Há pelo menos três meses tenho visto mais fregueses. A garotada continua baixando música e comprando pirata, mas o público acima de 30 anos está comprando mais.
Não há muito mistério nessa recuperação aparentemente milagrosa do CD. Vende-se mais discos hoje porque eles nunca estiveram tão baratos. A redução de preços se combina a uma série de iniciativas desde o começo, como o lançamento do CD Zero (pela Sony-BMG) e o MusicPac (da Universal).
– Desde 2005 baixamos nossos preços em 50%, em média. Mas por muito tempo o consumidor não tinha reparado isso. E nos últimos meses ele vem finalmente percebendo – garante Castello Branco.
Marcus Fabrício cita números:
– Conseguimos reduzir os preços não só dos discos de catálogo, mas também dos lançamentos. Em 2005 um CD de artista brasileiro popular podia chegar ao público por R$ 29,90. Agora ele é vendido por no máximo R$ 19,90. Isso mostra ao consumidor nossa disposição de atraí-lo de volta às lojas.
Apesar da anunciada morte do CD como formato prioritário da indústria fonográfica, o aumento nas vendas sinaliza uma sobrevida possível para o disquinho prateado, que completou há pouco 25 anos de criação.
– O CD ainda tem muito tempo de vida e potencial de vendas. Apostamos no formato sem medo – diz Dubost, da FNAC.


Setembro 26, 2007 às 5:35 am
Eu já lhe disse e agora repito, parafaseando Nelson sargento:
Cd, agoniza, mas não morre.
Agora, cara, em que lugar do Brasil os cds baixaram de preço?
O novo da Maria Rita custa 30 realezas.
Setembro 27, 2007 às 8:55 pm
A morte do Cd é certa. O crescimento na adoção de conexões mais velozes com a internet está fazendo com que o consumo de midia digital cresca de forma significativa segundo dados de pesquisa da organizacão Pew Internet & American Life Project. Muitos mp3players vendidos, aparelhos de carros com leitores de PenDrives e cartão de memória, Player de videos portatil com suporte a mp4, aparelhos de celular com mp3 player, etc… O mundo esta se convergindo cada vez mais para formatos digitais. Não se pode evitar o inevitável.